Apresentação Oficina de Escrita Concisa
O Google nos copia e nós copiaremos o Google
A proposta deste curso de escrita concisa é utilizar os parâmetros de composição textual propostos pelo SEO (search engine optimization) para nos orientar na construção de enunciados objetivos, de estrutura simples e de carga semântica elevada, isto é, com significados específicos e de alto valor informativo. E isso será possível por meio de levantamento dos elementos linguísticos que regem os comandos determinados pelo SEO na produção de conteúdo online.
Comunicar é agir
Se comunicar é agir, toda vez que nos comunicamos, estamos fazendo algo. E o que fazemos quando nos comunicamos? Podemos pedir, informar, perguntar, ironizar, começar ou interromper um diálogo, protocolar, comprometer-nos, convidar, sensibilizar... Observe que, em todos os casos, o ato comunicativo pressupõe a interação com um ou mais receptores. A comunicação é um evento interativo.
Os verdadeiros parceiros da comunicação
Quem se lembra das aulas de português na escola, vai se lembrar das pessoas do discurso: a 1ª, que se refere àquele que fala (eu); a 2ª, que se refere àquele com quem se fala (tu/você) e a 3ª, que se refere àquilo ou àquele de que(m) se fala. Observe que a 3ª pessoa não participa da interação pressuposta pela comunicação; a 3ª pessoa é, na verdade, o assunto, o referente da conversa. “Eu” e “você” são os verdadeiros parceiros da comunicação, processo que conta com a cumplicidade recíproca entre o emissor e o receptor da mensagem.
O outro é quem mais importa
Porque um, sozinho, não interage. E sem interação, não há comunicação!
Autoanálise comunicativa:
Ao elaborar sua mensagem, o emissor deve considerar a posição do receptor no contexto e tentar prever a melhor maneira de conduzir seu discurso para que o outro o compreenda bem. Portanto, é preciso saber quais critérios avaliar para podermos verificar se nós estamos sendo bons comunicadores ou se não estamos exercendo bem a nossa competência comunicativa.
Linguagem e comunicação
Existem vários códigos que, ao se inserirem num sistema de regras, formam uma linguagem capaz de gerar comunicação. Há, basicamente, dois tipos de linguagem: a verbal, que se constitui de palavras e seus sentidos, e a não-verbal, que se constitui de imagens, sons, gestos ou qualquer elemento que adquira sentido num determinado contexto. Por exemplo: podemos dizer “tchau” ou podemos acenar com a mão em sinal de despedida.
O que são palavras?
Palavras são formas gráficas ou sonoras, constituídas de dois elementos de natureza distinta: um concreto e outro abstrato. Toda palavra se apresenta por meio de uma forma física (visual ou sonora) que carrega consigo um conceito, um significado; algo que só pode ser expresso por meio da manifestação de uma forma que o signifique. (Veja bem: não existe significado sem uma forma que o manifeste).
Expressar-se bem é uma habilidade
Expressar-se bem é uma habilidade; pode ser aprendido por qualquer um que tenha tempo e ânimo para se dedicar ao aprimoramento da técnica. Esse é o primeiro passo para se tornar um comunicador competente.
Problemas: vagueza e imprecisão
A questão do cálculo do sentido de uma palavra é bem complexa, mas podemos começar observando as diferentes classes de palavras e suas funções, como, por exemplo, “casa”, um substantivo e “aquela”, um pronome. Observe que o substantivo, mesmo fora de contexto, traz, de maneira autônoma, alguns traços semânticos (construção, espaço particular, moradia), enquanto o pronome, sozinho, não significa nada, pois ele depende da referência a outro nome para manifestar seu sentido. Faz parte da competência do emissor garantir que as palavras escolhidas tragam, de maneira específica, o sentido pretendido na mensagem, evitando, assim, um texto vago, impreciso.
O óbvio não é óbvio
O grande psicólogo e linguista canadense-americano Steven Pinker nos diz que nosso cérebro, quando conhece um fato, assume que todas as outras pessoas o conhecem também. E é um engano assumir que o outro compartilha exatamente das mesmas informações que você e, assim, deduzir que aquilo que é óbvio para você também é óbvio para o outro.
Tenha empatia pelo seu receptor
Já foi dito que a comunicação é um ato interativo e que precisamos de cumplicidade e de reciprocidade entre emissor e receptor. Então, não use jargões se você não estiver certo de que o outro está familiarizado com eles; não imagine que seu receptor vai operar com a mesma lógica que você - não se apresse para conclusões sem apresentar os passos intermediários - e apresente informações concretas, mesmo quando estiver falando com colegas de trabalho, envolvidos na mesma atividade que você.
Pesquisar no Google
Como o Google funciona? O guia do SEO 2.0 da Rock Content nos conta: os robôs da Google funcionam como rastreadores. Eles buscam todas as páginas na internet, entram em cada um dos links e leem tudo o que as páginas têm a oferecer, salvando tudo o que encontrarem nos servidores do Google. Dessa forma, todo o conteúdo fica bem organizado e bem segmentado, oferecendo os melhores resultados para as pesquisas realizadas pelos usuários a respeito de um termo específico.
O SEO e o usuário
O SEO (search engine optimization) é um mecanismo que facilita as nossas pesquisas no Google, dando-nos especificações diante de termos mais genéricos, a partir do hábito de pesquisa de outros usuários. Por exemplo, ao procurarmos por “Savassi”- termo genérico-, aparecem as especificações “Savassi games”, “Savassi hotel”, “Savassi bh”, etc. O interessante aqui é notar que o Google consegue fazer essas especificações, pois registra os termos mais procurados e que apontam a intenção da pesquisa dos usuários. Isso quer dizer que o Google observa o comportamento de uns usuários, analisa-os e trabalha para prever o comportamento dos outros usuários, antecipando-lhes informações relevantes no direcionamento da pesquisa realizada.
O SEO e os redatores de conteúdo
Com o intuito de dinamizar o tráfego orgânico na rede, o Google atualiza seus parâmetros de processamento de textos e determina certos padrões textuais, que são utilizados pelos redatores de conteúdo de sites comerciais. Isso possibilita que o Google mostre ao usuário o site de conteúdo mais relevante sobre o assunto pesquisado e, assim, otimiza a busca desejada. Os parâmetros de conteúdo do SEO baseiam-se na escolha de palavras-chave (head tail e long tail) e em uma determinada organização textual (pillar content/ cluster content), que segmenta um tema abrangente em tópicos restritos.
E a linguística?
A internet gerou novas formas de comunicação, portanto, novos gêneros textuais. O site comercial é um gênero textual, de linguagem multimodal e que tem sua estrutura verbal (linguística) preferencialmente orientada por parâmetros do SEO do Google. E esses são parâmetros de ordem semântica e discursiva. A semântica é a área da linguística que discute a construção de sentido das palavras, expressões e enunciados mais complexos. O discurso manifesta-se por meio das ideias construídas no texto, ou seja, é pelo discurso que avaliamos a pertinência de um conteúdo e podemos decidir se ele tem ou não tem valor para quem o recebe.
Somos todos produtores de conteúdo
A construção textual é um mecanismo de suma importância numa era tecnológica como a nossa. Estamos produzindo conteúdo o tempo inteiro e, agora, profissionalmente. Recebemos um fluxo enorme de informações que se atualizam muito rápido; informações fragmentadas, desconexas. Quando vamos organizar um texto (escrito ou falado), percebemos que em nossa cabeça, assim como na internet, há uma nuvem de informações espalhadas e aparentemente desconexas, e é um sofrimento transformá-las em frases que expressem exatamente o que preciso ou desejo dizer. Falta algo, algo que – parece – deveríamos saber naturalmente e, como não sabemos, sentimo-nos frustrados. Mas lembre-se de que já foi dito aqui que se expressar é uma habilidade que pode ser desenvolvida. Basta descobrir quais recursos linguísticos podemos utilizar para conseguir organizar essa nuvem de dados mentais em frases claras e concisas.
O cérebro eletrônico e o cérebro humano
O funcionamento do cérebro do Google se desenvolve seguindo o modelo de processamento linguístico do cérebro humano. A era tecnológica coloca a máquina para pensar e desperta em nós um senso de confiança tão grande, que, muitas vezes, esquecemo-nos da nossa própria condição intelectual e temos a sensação de que a máquina é mais inteligente, quando ela está apenas nos copiando. Então vamos aproveitá-la para reestabelecer um sistema de normas que nos dará orientação para reconquistarmos nossa capacidade de nos comunicar bem. Podemos usar o conhecimento da máquina para ilustrar, de maneira bastante objetiva, um modelo de organização do pensamento. Como foi dito na introdução, isso será possível por meio de levantamento dos elementos linguísticos que regem os comandos determinados pelo SEO na produção de conteúdo online.